Da Mata do Canário à Lagoa das Sete Cidades

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Na zona Ocidental da ilha de São Miguel, nos Açores, fica um local dos mais bonitas que vi em toda a região, a Lagoa das Sete Cidades. Um dia em cheio com o que melhor os Açores tem para oferecer ao nível da paisagem.

A caminhada entre a Mata dos Canários e a Lagoa das Sete Cidades foi, sem dúvida, uma das mais interessantes que fiz durante a minha estada nos Açores. Este trilho tem início nas proximidades do “Muro das Nove Janelas”, um aqueduto de pedra antigamente destinado ao abastecimento de água dos fontanários públicos da cidade de Ponta Delgada.

O percurso, ao não ter uma dificuldade técnica associado, permite que nos concentremos na observação da paisagem e, ela é deslumbrante! Trata-se de um percurso sinalizado com cerca de 11km de extensão (nós medimos 12,4 km) que se desenvolve, maioritariamente, na parte superior da cratera por estradões e com um pequeno declive. Esta característica do percurso permite observar para além da lagoa, a costa norte e a costa sul da ilha com o mar a pontificar. Na aproximação à povoação temos uma descida com uma inclinação acentuada onde a utilização de bastões dá muito jeito. Depois de observar a lagoa dirigi-mo-nos à povoação que, sinceramente, não tem grandes motivos de interesse a não ser a igreja de São Nicolau e uma casa senhorial.

Após a caminhada e, já de carro, fomos ver a belíssima Lagoa de Santiago que está situada relativamente perto e que a tinhamos visto ao longe durante o início do percurso.

Caracterização da Lagoa das Sete Cidades

A caldeira foi formada por colapsos sucessivos de dois relevos que a circundam, e tem um diâmetro de cerca de 5 km e profundidade máxima de 400 metros. Constitui-se numa das maiores caldeiras de abatimento do arquipélago. Os seus bordos apresentam, em sua maior parte, vertentes muito inclinadas.

Inscreve-se numa área de montanha de relevo bastante acentuado, com falésias interiores, profundas ravinas e sulcos em cujos leitos correm águas torrenciais. O Pico das Éguas, com 873 metros de altitude, é a maior elevação desta zona.1 A zona inclui uma área urbana, terrenos agrícolas e maciços florestais de produção de criptoméria.

É uma área importante em termos de endemismo, conservando vestígios da vegetação primitiva do arquipélago, com destaque para o cedro-do-mato (Juniperus brevifolia), o “Chaerophyllum azoricum”, a angélica(Angelica lignescens), o azevinho (Ilex perado ssp. azorica), a “Tolpis azorica”, o queiró (Daboecia azorica), a urze (Erica azorica), a “Lysimachia azorica”, a uva-da-serra (Vaccinium cylindraceum), o folhado (Viburnum tinus ssp. subcordatum), a “Cardamine caldeirarum”, as margaridas (Beilis azorica), assim como os musgos “Breutelia azorica”, “Campylopus azoricus” e “Grimmia tricophylla ssp. azorica”.

Representa também uma importante zona de passagem para aves migratórias, muitas das quais em perigo de extinção. Encontram-se igualmente aves endémicas dos Açores, como o pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica), o melro-preto (Turdus merula azorensis) e a estrelinha (Regulus regulus azoricus).

Nas águas das lagoas da região encontram-se várias espécies de peixes introduzidas pelo Homem, como por exemplo a carpa (Cyprinus carpio), o lúcio (Esox lucius), a perca (Perca fluviatilis), o ruivo (Rutílus rutílus) e a truta (Salmo iridens gibrons).

A lagoa das Sete Cidades constitui-se no maior reservatório natural de água doce de superfície dos Açores, ocupando uma vasta área que chega aos 4,35 quilómetros quadrados, com uma profundidade de 33 metros.

Caracteriza-se pela dupla coloração das suas águas, sendo dividida por um canal pouco profundo, atravessado por uma ponte baixa que separa de um lado um espelho de águas de tom verde e, do outro, um espelho de tom azul.

Essas características, e a beleza da paisagem envolvente, deram lugar a que surgissem belas lendas sobre a sua origem e formação, inclusive a que a liga ao mito da Atlântida.

A lagoa, bem como a sua zona envolvente, encontra-se classificada como Paisagem Protegida.

Texto e fotografia: Vasco de Melo Gonçalves

Ficha do percurso

Nome: PR4SMI Mata dos Canários / Sete Cidades

Local: Ilha de S. Miguel nos Açores

Tipo: Linear

Extensão: 12,4 km

Sinalizado: Sim

Grau de dificuldade: Fácil

Track de GPS: http://ridewithgps.com/routes/6451945

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