De Ovar ao Carvoeiro de bicicleta. 1ªParte

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De bicicleta pelos caminhos de Portugal!

Do dia 5 ao dia 16 de Julho, lançamo-nos no calor abrasador de Portugal e percorremos norte a sul, pedalando quase sempre pela costa, fazendo somente um pequeno desvio!

Saímos quase ao meio-dia de 5 de Julho da Praça das Galinhas em Ovar, com os sacos acabadinhos de fazer e sem uma série de tralhas que, reparamos depois, seriam essenciais a esta viagem (sim, fomos nós que estivemos 9 meses a pedalar por esse Europa fora…)

Texto e fotografia: Tanya e Rafael

As etapas e os dias do mês de Julho:

5: Ovar – Barra

6: Barra – Figueira da Foz

7: Figueira da Foz – Leiria

8: Leiria – Peniche

9: Peniche – Malveira da Serra

10: Malveira da Serra – Algés

Para começar, não tínhamos os conta-quilómetros regulados, por isso não temos contas quanto à distância percorrida! Presumimos que ande aí pelos 600kms, mais coisa, menos coisa…com tantos enganos e desvios feitos! Depois, fomos só com 3 alojamentos marcados: Barra, Malveira da Serra e Santo André! Depois, não estávamos à espera de tanto calor! Bronzeado à camionista, que tanto desejávamos, esse sim, conseguimos trazer!

Como dizia, de Ovar, pedalámos já perto do meio-dia até São Jacinto, acompanhando o braço da ria de Aveiro que vai desde o Carregal até ao barco que nos leva para o outro lado! Foi um caminho feito nas calmas e com muitas ciclovias que nos agradam muito, espelho do trabalho que vem sendo feito pelas diversas autarquias do distrito e que, esperamos nós, venham a estar ligadas entre elas, transformando as distâncias possíveis em bicicleta! Objectivo final? Atirar os automóveis para a berma!

Já do outro lado, montámos a “banca” para tentar vender uns produtos que fomos fazendo ao longo destes tempos: coisas feitas com trapilhos, postais com as nossas fotos de viagem, os nossos crachás, etc., mas sem sucesso algum. Não fossem os nossos amigos e conhecidos e tínhamos trazido tudo para cima! A Marta e o Bruno receberam-nos em sua casa e jantámos um maravilhoso tofu com broa feito pelas mãos da Tanya! Dormimos bem e no dia seguinte…Figueira da Foz!

O caminho foi feito sempre em terrenos planos e não fosse a explicação maravilhosa de um miúdo num café, sobre qual a melhor rota a tomar, tinha sido um dia chatinho. Sim, as praias são engraçadas, mas nada por aí além…e estava tanto calor! Chegar à Figueira, com todo aquele areal, é mesmo de meter um pouco de raiva, para quem vem do Furadouro, com a destruição impressionante deste ano. Eles até se dão ao luxo de fazerem jardins com lagos na praia, onde sapos saltam de noite para o charco, felizes e contentes…grrr! O fim de tarde estava perfeito, sem vento, sem qualquer frio! Não tínhamos onde dormir e queríamos ir ver a cidade, mas não com as bicicletas. Pensámos em dormir na praia, até termos tido a ideia de pedir ao dono do gota d’água (um bar de praia) para nos deixar guardar as bicicletas. Não só nos deixou, como nos ofereceu casa-de-banho e um sítio para dormirmos! Santo homem! Foi uma noite de luta: homem-mosquito, não sabendo ainda até hoje quem venceu. Da cidade, pouco a contar. Pelo que vimos…esperávamos bem mais.

Dali, cortámos para o interior…porquê, não sabemos, e dormimos em casa dum amigo de família que, não estando lá, nos deixou ficar em sua casa. Nada a contar de especial. Viajávamos sem mapa, perguntávamos na rua como se ia para aqui e para acolá, tomávamos banho em fontes pelo caminho, levavam-nos, vezes sem conta, por estrangeiros. Ficávamos vermelhos na cara, na minha pequena careca e nos pés. Os braços, esses, já estavam mais pretos.

A água era bebida aos litros… Peniche, é daqueles sítios que, para um praticante de bodyboard (embora agora quase reformado) são obrigatórios. Peniche, Sagres, Ericeira, Foz-do-Arelho, entre outras. Eu, só tinha ainda espreitado Sagres e Foz-do-Arelho. As outras duas, nunca lá tinha posto os pés. Só mesmo em fotografias e palavras dos outros. Agora, embora de bicicleta, passei por lá! Atravessámos a lagoa de Óbidos para o outro lado num barco com as bicicletas dentro (fomos roubadinhos…) e seguimos caminho, encosta acima, encosta abaixo, em direcção à cidade dos pescadores. As praias maravilhosas e nós a pedalar, levando com aquela brisa no corpo e sorrindo, a cada nova paisagem! Já em Peniche, pedimos para montar a tenda num terraço duma casa de família e fomos almoçar ás 4 da tarde para a praia, acabando com um banhinho de água gelada, para enrijar as peles! Cozinhamos, ainda jogámos cartas e dormimos que nem anjos!

No outro dia, acordámos às 6h30 com um vento que parecia possuído pelo demónio (credo em cruz, santo nome de Jesus) ao começar o dia, sabíamos que no fim, teríamos um banhinho quente e caminha feita! O que não sabíamos era que tínhamos de subir para Malveira da Serra ao fim da tarde, com tanto vento. Cascais, foi o que disseram…mas não era Malveira da serra.

Um dia de grandes sobes e poucos desces, Sintra incluído até lá acima e a termos de parar a meio não sei quantas vezes para descansarmos, comermos, bebermos e deixar que o cheiro que já estava entranhado nos corpos e na roupa…arejasse! Enfim! Ficámos em casa duns amigos de familiares nossos mas, logo à chegada, aquilo que eram para ser 2 dias de estadia, percebemos que ia transformar-se só num. Maus entendimentos à parte, estávamos mesmo todos rebentados. A subida final deixou-nos mortos e só queríamos uma cama, por mais pequena que ela fosse! O cansaço era tanto, que num pequeno café onde parámos, enquanto eu discutia os problemas do Godinho das sucatas e um velhote me contava as trafulhices que um actual agente da ASAE fazia enquanto possuidor de outro cargo (todos do mesmo saco…) a Tanya ressonava deitada numa mesa de esplanada!

Ao acordar (mal dispostos com a má educação), pegámos nas bicicletas e descemos ao Guincho, onde caí e a Tanya foi empurrada pelo vento até ao outro lado da estrada. O vento estava felizmente a nossa favor e o caminho até Algés – onde ficámos em casa dos pais da nossa amiga Rita – fez-se muito bem, sempre com o mar do nosso lado direito, passando por Cascais, Carcavelos, Estoril e por mais uma série de praias deveras apetecíveis! À chegada, filas enormes esperavam já para entrar num festival no passeio marítimos de Algés e nós fomo-nos refugiar em família e a falar até não poder mais! Que dois dias tão bem passados junto de uma grande amiga e dos pais, que nos receberam de maneira 5 estrelas! Obrigado! http://www.2numundosobrerodas.blogspot.com/

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