Transumância é recordada na Branda da Aveleira

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Nos dias 4 e 5 de agosto, a Branda da Aveleira (Gave) reúne toda a população para lembrar a cultura da transumância. A aldeia melgacense recebe neste fim de semana o Dia do Brandeiro, um evento celebrado há já cerca de 22 anos pelos seus habitantes, atraindo ao local os mais curiosos.

Durante os dois dias, os visitantes e melgacenses terão a oportunidade de observar e conhecer a cultura brandeira. Os gaiteiros do ‘Rio Mouro’ fazem a abertura do evento no sábado de manhã e interpretarão música de raiz celta. Do programa há a destacar a palestra cultural ‘Onde o Passado Encontra o Futuro’, por Rodrigues Lima. Após a habitual missa, acontece o tão esperado cortejo etnográfico sob o tema: ‘A Transumância’ – uma tradição secular que chegou a mobilizar uma centena de brandeiros em meados do século XX.

A BRANDA DA AVELEIRA é uma das muitas brandas que se encontram espalhadas pelas zonas mais altas do Alto Minho. É composta por cerca de 80 casas, denominadas cardenhas, todas muito rústicas, de sobrado e corte térreos, que formam um conjunto ímpar não só pela sua tipicidade, como também por serem de fácil acesso. As cardenhas, eram os abrigos dos brandeiros, pastores que cumpriam a chamada transumância. Nestes aglomerados de rudes construções de granito, erguidas no alto da montanha, os pastores passavam os dias entre maio e setembro, acompanhando o gado que, no alto da serra, encontrava, e encontra, pasto fresco, no clima brando, onde o ar é mais puro e onde as águas são cristalinas e leves. Estas construções eram autênticas aldeias de verão, também chamadas por isso, e por alguns, Verandas.
A branda é um testemunho que, pastoreando os seus rebanhos, os brandeiros, praticavam simultaneamente o cultivo do centeio, da batata e do feno. A branda é fruto de uma longa elaboração humana e manifesta uma memória coletiva, ao mesmo tempo que evidencia um saber/estar, saber/ fazer e saber/ser. Os brandeiros podem ser considerados artistas que, moldaram os pedaços de terra nas altitudes, conseguindo meios para a sua economia. Para além da cultura da batata, do centeio e do feno, muitos brandeiros dedicam-se à apicultura, de onde se extrai mel de ótima qualidade. Encontramos homens de cajado firme possuidores de éguas, vacas e vitelos, contando “estórias” em que, “o lobo matou uma cria e o dono não topou o lobo nem a cria”. Pois o lobo não espera…

O programa do Dia do Brandeiro, comemorado, todos os anos, no primeiro sábado de agosto, inclui ainda o concurso ‘Apanha do porco’, a ‘Caminhada do conhecimento’, uma corrida de cavalos e animação musical e concertinas. Não faltará a boa gastronomia local.

A diversidade paisagística da aldeia e a gastronomia local (onde se destaca a broa de milho, o cabrito à moda da Serra e os produtos de fumeiro) fazem desta aldeia do Destino de Natureza Mais Radical de Portugal uma ótima escolha! Situada na entrada do Parque Nacional da Peneda-Gerês, a Branda da Aveleira representa a tipicidade da região e o modo de vida de uma época. A aldeia tem uma paisagem e um conjunto arquitetónico de enorme beleza, sendo o testemunho de uma tradição agrícola e cultural de grande valor antropológico, que a torna muito especial e singular. Foi uma das pré-finalistas das 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias, na categoria de Aldeias Remotas.

PROGRAMA
Dia 4 (sábado)
09h00 – Abertura da Festa com atuação do grupo de gaiteiros “Rio Mouro”
10h00 – Palestra Cultural – Onde o Passado Encontra o Futuro | Dr. Rodrigues Lima
11h00 – Missa
12h30 – Cortejo Etnográfico “A transumância”
15h30 – Animação Musical com concertinas
16h30 – Concurso “Apanha do Porco”
18h00 – Animação Musical com “Laurence”

Dia 5 (domingo)
09h00 – Caminhada do conhecimento
10h00 – Animação musical com “Jovens Minhotos”
15h00 – Corrida de Cavalos
Animação Musical com “Jovens Minhotos”

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