O Censo de Milhafres/Mantas está de regresso no fim de semana de 21 e 22 de março, numa edição especial que assinala a 20.ª edição desta iniciativa da SPEA BirdLife (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves), realizada anualmente desde 2006. O objetivo mantém-se claro: monitorizar as populações destas aves de rapina e reforçar o conhecimento sobre a sua distribuição nos Açores e na Madeira. O censo decorre em simultâneo nos Açores e na Madeira, por forma a acompanhar as duas subespécies de águia-de-asa-redonda que ocorrem exclusivamente nestes arquipélagos: o milhafre (Buteo buteo rothschildi) nos Açores e a manta (Buteo buteo harterti) na Madeira.

Durante o censo, no fim de semana de 21 e 22 de março, equipas de voluntários irão realizar percursos (a pé, de bicicleta ou de carro), recolhendo dados essenciais para acompanhar estas duas subespécies de águia-de-asa-redonda.

“O milhafre e a manta são, na prática, vigilantes do território: patrulham campos, florestas e zonas agrícolas, mantendo sob controlo presas como roedores e ajudando a equilibrar o ecossistema. Por serem espécies residentes e dependentes do que o território lhes oferece, também dão sinais importantes sobre o estado do ambiente. Infelizmente, enfrentam ameaças persistentes, como a alteração do habitat, o envenenamento e a eletrocussão em infraestruturas elétricas, além de ocorrências como atropelamentos. É por isso que cada observação dos voluntários conta para proteger estas rapinas únicas dos arquipélagos.” afirma Cátia Gouveia, coordenadora da SPEA Madeira.
Com base nos resultados mais recentes, a estimativa populacional aponta para cerca de 2 642 milhafres nos Açores e 188 mantas na Madeira. Ao longo das edições do censo, as estimativas populacionais têm mostrado oscilações anuais, o que reforça a importância de manter a monitorização e garantir um bom esforço de percursos em todas as ilhas.
“Quanto mais voluntários tivermos e mais percursos forem realizados, maior a precisão das estimativas e melhor conseguimos perceber se estamos perante tendências reais ou oscilações pontuais. Cada percurso conta“, reforça Ana Mendonça, coordenadora do Censo nos Açores.
A participação é aberta a qualquer pessoa, com ou sem experiência prévia, incluindo entusiastas da natureza, famílias, investigadores e cidadãos que queiram contribuir para a conservação da biodiversidade. A atividade torna-se ainda mais enriquecedora quando feita em grupo, juntando observação da natureza e ciência cidadã ou em família unindo gerações pela conservação da natureza. A SPEA faz o apelo à inscrição de voluntários que podem ser realizadas através de formulário próprio no site da SPEA