O que têm em comum o plástico reciclado e as joias da coroa portuguesa? À partida, nada. Mas é precisamente desse contraste que nasce a coleção exclusiva “Ecos Reais”, apresentada hoje, 16 de abril, pelo Museu Tesouro Real (MTR) e desenvolvida pela vencedora do primeiro concurso de joalharia do museu.


A coleção surge na sequência da exposição “Ecos Reais”, patente no museu até ao início deste ano, que desafiou vários criadores a reinterpretar peças históricas do acervo. A proposta vencedora dá agora origem a uma nova linha de joias, disponível ao público apenas na loja do MTR.
Inspirada em peças descravejadas do acervo permanente do Museu Tesouro Real, em particular a famosa tiara de D. Estefânia, a coleção parte da estrutura das joias originais. Em vez de reproduzir ornamentos, explora volumes, encaixes e composições e traz para primeiro plano a base destas peças, reinterpretada numa linguagem contemporânea.
É nos materiais que esta abordagem ganha maior expressão. O plástico PET, proveniente de garrafas recicladas e pouco associado à joalharia, assume aqui um papel central. A reutilização de materiais e economia circular surgem como uma preocupação assumida no processo criativo da artista, que cruza sustentabilidade e experimentação na construção das peças. Recortado, aquecido e moldado manualmente, transforma-se em superfícies irregulares e formas translúcidas, onde a cor e a luz criam diferentes camadas e profundidade.


Estas formas são depois trabalhadas com técnicas de metalização e acabamento que incluem cobre e banho de ouro de 24 quilates, num contraste direto entre matéria contemporânea e tradição. O resultado são brincos, anéis, braceletes, pregadeiras e colares que partem da joalharia régia e a traduzem numa linguagem mais moderna, com peças de diferentes escalas, das mais discretas às mais marcantes.
Por detrás destas peças está a artista Cristina Rodriguez Nuño, natural de Cáceres e residente em Lisboa desde 2005. O seu percurso começa na pintura e evolui para a joalharia, onde trabalha diretamente sobre a matéria e constrói cada peça desde a conceção até à forma final, abordagem autoral que define a identidade desta nova coleção. Com formação em joalharia no Centro de Joalharia de Lisboa, foi distinguida com o Prémio PortoJóia Design 2017 e tem vindo a apresentar o seu trabalho em diversos países, como Portugal, Espanha, Alemanha, Itália, Grécia, Eslovénia, Holanda, França, Suíça e Hungria.
A coleção está disponível na loja do Museu Tesouro Real, onde passa agora a integrar a oferta inspirada no seu acervo histórico.
O Museu Tesouro Real, sob a gestão da Associação Turismo de Lisboa, está aberto todos os dias, das 10h00 às 18h00.