Jardins de Lisboa

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Os jardins de São Pedro de Alcântara, Príncipe Real e Botânico são os nossos destinos desta edição. Um percurso linear numa das zonas com mais vida na cidade de Lisboa.

Texto e fotografia: Vasco de Melo Gonçalves

Numa manhã de Outono com ameaças de aguaceiros decidi caminhar pela cidade de Lisboa à descoberta dos seus jardins através de um trajeto linear e sem grande dificuldade física. A escolha destes jardins tem a ver com diversidade da oferta – paisagística e de espécies – entre jardins públicos de bairro e um jardim botânico ligado à universidade. Se estes argumentos já são suficientemente fortes temos ainda, que estão implantados numa das zonas mais bonitas da cidade de Lisboa. Esta conjugação de fatores faz deste nosso percurso uma experiência muito gratificante.

O início do nosso passeio foi no jardim de São Pedro de Alcântara, seguindo-se o jardim do Príncipe Real com o seu mercado biológico e finalmente o Jardim Botânico que comemorou 134 anos de existência.

Notei, nos jardins públicos, um grande cuido com a sua preservação (a estatuária é um alvo fácil de pseudoartistas que teimam em deixar a sua marca!) sendo que no Príncipe Real a grande maioria das espécies da flora está identificada. No Jardim Botânico verifiquei que um número significativo de placas de identificação das espécies estão quebradas.

JARDIM DE SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA / JARDIM ANTÓNIO NOBRE

Lugar muito aprazível, onde se desfruta de um dos mais belos panoramas da cidade. O Jardim António Nobre (também conhecido por Jardim de S. Pedro de Alcântara) é um miradouro constituído por dois patamares ligados por escadas em pedra sendo suportado por uma muralha mandada construir por D. João V em meados do século XVIII. No patamar superior do jardim encontra-se um painel de azulejos reproduzindo a panorâmica do miradouro. Este patamar tem sobretudo árvores, caminhos e um lago central. O patamar inferior, com um groto embutido no muro de suporte e uma série de canteiros geométricos, foi adornado com uma série de bustos de deuses e de heróis portugueses dos Descobrimentos, entre os quais Vasco da Gama, Luís de Camões e Afonso de Albuquerque.

Localização: Rua de São Pedro de Alcântara, Lisboa

Área: 0,7ha

Informação: C.M.L.

JARDIM DO PRÍNCIPE REAL / JARDIM FRANÇA BORGES

Localizado perto do Bairro Alto, este jardim de traçado romântico, foi construído em meados do séc. XIX. Como aspetos a assinalar temos:  a existência de um Cedro-do-Buçaco, com uma copa de mais de 20 metros de diâmetro,  é uma das árvores que está classificada como sendo de interesse público neste local;  o mercado semanal de produtos de agricultura biológica realizado aos sábados é um dos muitos eventos que já fazem parte da atividade deste jardim;

vários elementos de estatuária, com destaque para a escultura do Mestre Lagoa Henriques, em memória do 1º Centenário da Morte de Antero de Quental;  Lago e ainda o  Reservatório de Água da Patriarcal (1864) com uma forma octogonal com 31 pilares de 9,25 m de altura e uma capacidade de 880 m³, que hoje faz parte do Museu da Água da EPAL.

Localização: Praça do Príncipe Real 1250-184, Lisboa

Área: 1,2ha

Informação: C.M.L.

JARDIM BOTÂNICO

O Jardim Botânico tem uma área de 4 hectares onde se observam espécimes vegetais oriundos de diversas partes do Mundo, entre as quais sobressaem Cicadácias, Gimnospérmicas, palmeiras e figueiras tropicais. Sementes de espécies raras e ameaçadas são aqui  preservadas no Banco de Sementes.

O Jardim Botânico representa um património de inegável interesse do ponto de vista histórico, cultural e científico. É sua missão contribuir para o conhecimento científico de plantas e fungos, da sua biodiversidade, conservação, propondo métodos de gestão do ambiente. O Jardim Botânico deve ainda permitir a aproximação da sociedade às plantas – base da vida na terra – proporcionando o aumento da literacia científica das comunidades, sendo um local único para a divulgação e formação científicas.

No Jardim Botânico estão referenciadas 1493 espécies distintas, numa extensa lista que aqui se torna acessível a estudiosos e curiosos.

Sendo o Jardim Botânico um organismo vivo, é de destacar que há por vezes oscilações quanto ao número exato das espécies nele existente a cada momento, uma vez que há plantas que morrem mas há também novas aquisições.

Distinguem-se duas áreas principais no jardim Botânico: a «Classe» e o «Arboreto».

Localização: Rua da Escola Politécnica 56/58

Informação: Jardim Botânico / www.mnhnc.ul.pt

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