Batalha: Rota da Vila Heroica

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Uma caminhada pela Batalha é a nossa proposta  para conhecer, mais de perto, uma terra rica em tradições.

Texto e fotografia: Vasco de Melo Gonçalves

A proposta desta edição é a de uma caminhada pela vila da Batalha à descoberta dos seus edifícios e monumentos mais emblemáticos. A autarquia delineou uma Rota da Vila Heroica que complementei com mais alguns lugares de visita.

Nada melhor para começar a nossa jornada do que uma visita ao posto de turismo (só abre às 10 horas) onde poderá receber todo o tipo de informação de uma forma organizada e através de pessoal muito simpático. É conveniente levantar também uma planta para uma melhor definição do nosso percurso.

Munidos de toda a informação necessária partimos à descoberta da Batalha. Ao deambular pelas ruas notamos, no centro mais histórico, uma falta de coerência arquitetónica, as esplanadas são compostas por mobiliário de fraca qualidade, existe um excesso de mensagens publicitárias que descaracterizam a vila. Mas, mesmo assim, a Batalha merece ser visitada mais que não seja pelo seu mosteiro e por alguns pormenores arquitetónicos e culturais.

Pontos importantes do Percurso

– Escola António Cândido da Encarnação

– Solar Quinta do Fidalgo

– Estátua Equestre de São Nuno de Santa Maria

– Mosteiro da Batalha

– Edifício Mouzinho de Albuquerque

– Praça Mouzinho de Albuquerque

– Edifício Setecentista – Casa do Sr. José Travaços Santos

– Pelourinho

– Edifício de Sérgio Gonçalves Ferreira

– Edifício dos Herdeiros do Dr. José Maria Pereira Gens

– Museu

Esta rota tem início junto à Escola António Cândido da Encarnação. O edifício, construído em finais do século XIX pelo abastado comerciante lisboeta António Cândido da Encarnação, mantém ainda hoje os traços neo-góticos na guarda e nas janelas.

Ao lado a Ponte da Boutaca, de traça neo-gótica, possui quatro pavilhões do estilo romântico que eram utilizados como casa de portageiros, característica que a torna única no nosso país.

Seguimos por outro local que testemunha a passagem dos nobres antepassados que fazem parte da História: o Solar Quinta do Fidalgo que hoje funciona como um turismo de habitação. Reza a história que acolheu, no início do Século XVIII, em 1744, o ainda príncipe D. José. Ali jantou e pernoitou, desfrutando da encantadora vista sobre o Mosteiro da Batalha.

Ali próximo, em homenagem à louvável coragem do grande lutador D. Nuno Álvares de Pereira, elevou-se em 1968, uma majestosa estátua equestre que pode ser apreciada em redor do Mosteiro, onde o Condestável e Santo ergue a sua espada. A obra é da autoria do Escultor Leopoldo de Almeida Vaz Martins.

O mosteiro obriga-nos a uma visita demorada. O Mosteiro de Santa Maria da Vitória (mais conhecido como Mosteiro da Batalha) foi mandado edificar por D.João I de Portugal como agradecimento à Virgem Maria pela vitória na Batalha de Aljubarrota. Este mosteiro dominicano foi construído ao longo de dois séculos, desde o início em 1386 até cerca de 1517, ao longo do reinado de sete reis de Portugal, embora desde 1388 já ali vivessem os primeiros dominicanos. Exemplo da arquitetura gótica tardia portuguesa, ou estilo manuelino, é considerado património mundial pela UNESCO, e em 7 de Julho de 2007 foi eleito como uma das sete maravilhas de Portugal. Em Portugal, o IPPAR ainda classifica-o como Monumento Nacional, desde 1910.

Mas a Batalha também lembra, com saudade, as suas próprias figuras emblemáticas. A família Mouzinho de Albuquerque é um dos exemplos. Uma das principais praças da vila recebeu o seu nome, recordando o papel da família na história do Concelho. O Edifício Mouzinho de Albuquerque, que data do século XIX, situado no coração da Vila, depois de ter albergado os serviços de Paços de Concelho. Atualmente é um espaço de utilidade cultural, albergando a Galeria de Exposições e o Arquivo Histórico Municipal. Ao fundo da Praça encontra-se ainda um Busto, da autoria de Fernando Belo, que evoca Joaquim Mouzinho de Albuquerque, Patrono da Arma de Cavalaria.

Mesmo ao lado, estamos perante uma habitação de importante valor histórico-cultural. Construído no século XVIII, este Edifício Setecentista, propriedade de José Travaços Mendonça Santos, de arquitetura civil residencial destaca-se pelos seus traços barrocos.

Não muito distante, pode contemplar-se o Pelourinho da Batalha – monumento onde os criminosos eram, outrora, punidos perante toda a comunidade pelos seus crimes. Trata-se de uma reprodução já que o original foi vandalizado nos finais do Século XIX.

Sem nos desviarmos muito, podemos encontrar uma habitação que se diferencia no contexto urbano de toda a vila pelos seus aspetos decorativos próprios da primeira metade do século XVIII: o Edifício de Sérgio Gonçalves Ferreira.

Aproximando-nos do outeiro sobranceiro à Vila, este percurso contempla ainda a observação do Edifício dos Herdeiros do Dr. José Maria Pereira Gens. Nesta construção, datada dos finais do Século XIX, foi efetuada uma interessante recuperação arquitetónica pelo Arquiteto Narciso Costa.

Penso que a melhor maneira de terminar a nossa jornada é com uma vista ao magnífico Museu da Comunidade Concelhia. Gostei imenso do conceito e da forma como é abordada a história, da conceção estética, um museu feito à escala humana e virado para as suas gentes.

Informações úteis

Onde dormir

Residencial Batalha

Largo da Igreja, Batalha

Onde comer

O Mestre Afonso

Largo Mestre Afonso Domingues n.º 4 – Batalha

Ementa:

Entradas variadas

Especialidade Bacalhau na Canoa

Vinho a copo Cruz de Avis

Doce da casa

Café

Preço: +/- 15 Euros

Câmara Municipal da Batalha

Rua Infante D. Fernando | 2440-118 Batalha

Tel.: 244 769 110 – Fax: 244 769 111

E-mail: geral@cm-batalha.pt

Museu da Comunidade Concelhia

Horários:

Diariamente das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00

Encerra à Segunda-Feira

http://www.museubatalha.com

Posto de Turismo da Batalha

Pç. Mouzinho de Albuquerque | 2440-121 Batalha

Tel.: +351 244 765 180

GNR – Posto Territorial da Batalha

Rua Luis da Silva Mouzinho de Albuquerque – Batalha

Tel.: 244765134

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