Café Calcinha – uma referência em Loulé

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O Café “Calcinha”, inicialmente Café “Central”, carioca de origem, é réplica perfeita de um seu congénere brasileiro que Prazeres & Reis trouxe e implantou na vila, em 1927.

Inicialmente um local frequentado por pessoas ricas onde era vedado o acesso aos mais pobres e às mulheres. António Aleixo, uma pessoa pobre e engraxador de profissão, mas com uma sátira acutilante foi uma das poucas excepções e a quem foi permitida a entrada no Café Calcinha. Com o decorrer dos tempos o acesso ficou mais democratizado (ricos de um lado e pobres do outro lado) mas, só nos anos sessenta do século passado, é que as mulheres puderam entrar!

Toda a conceção interior, fortemente acentuada pelas sancas de madeira genuína do Brasil, reproduziam uma ambiência fiel de um certo cosmopolitismo que começou a despontar por influência da “Bélle Époque”.
Depois de uma intervenção profunda ao nível da reabilitação do seu interior, o Café Calcinha abriu as portas ao público a 14 de julho de 2017 com uma imagem renovada mas mantendo a traça original que faz deste um dos cafés que integram a “Rota dos Cafés de Portugal com História”.
Para além da requalificação do edifício, o Café Calcinha funciona agora com uma nova exploração e também um novo conceito, associando o funcionamento de um estabelecimento misto de restauração e bebidas a uma programação de âmbito social e cultural.
O Café Calcinha foi classificado como Imóvel de Interesse Municipal em 2012 e, em 2014, adquirido pela Autarquia.

O Gerente Nelson conta a história deste café de referência.

O Café Calcinha foi durante o último século, e até aos dias de hoje, um marco sociocultural da população local e de todos os visitantes, sendo o único espaço de tertúlia na história da cidade de Loulé, que lhe configurou o privilégio de ser o estabelecimento mais emblemático e referenciado na história local.

A escultura de António Aleixo.

Ao longo das décadas e no decurso da sua já longa história (foi implantado em 27 de agosto de 1927), muitos foram os nomes importantes da vila que o frequentaram e mais as histórias que por lá se contaram, de geração em geração, entre as tertúlias, os cafés, o medronho, o capilé ou a ginjinha e as cigarrilhas ou onças de tabaco. Dele fizeram parte figuras de prestígio da vida pública louletana e nacional, destacando-se Frutuoso da Silva, Bernardo Lopes, Bexiga Peres, Pedro de Freitas, Reais Pinto, José Inês ou Joaquim Magalhães. Mas nenhum deles, porém, atingira a notoriedade de António Aleixo, que se destacou pelas suas réplicas mordazes e subtis em quadras soltas e sábias; no exterior foi colocada uma estátua em bronze (de autoria de Lagoa Henriques), numa homenagem mais do que justa ao poeta popular. Fonte: C.M. Loulé

Morada: Praça da República, 67 8100 Loulé

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