Centro de Portugal e regiões espanholas cada vez mais próximas no turismo

0

Anunciadas novas iniciativas de promoção conjunta com Extremadura, Castela e Leão, Galiza, Astúrias e Cantábria.

O Centro de Portugal e cinco regiões espanholas vão ser promovidos em 2018 como um destino comum em mercados e feiras de turismo internacionais. Esta estratégia de cooperação transfronteiriça na área do turismo deu hoje passos decisivos na FITUR – Feira Internacional de Turismo de Madrid, com a apresentação de ações concertadas entre as várias regiões.
A primeira ação foi a apresentação da estratégia comum no Turismo da RESOE, macrorregião do Sudoeste Europeu que junta o Centro de Portugal, o Porto e Norte de Portugal, a Galiza, as Astúrias, a Cantábria e Castela e Leão. A estratégia, que tem como ideia-chave “O Caminho que nos une” e como base os Caminhos de Santiago, foi apresentada por Julio González Zapico, Diretor Geral de Turismo do Principado das Astúrias, Pedro Machado, Presidente do Turismo Centro de Portugal e da Agência Regional de Promoção Turística Centro de Portugal, e Isaac Pola, conselheiro de Emprego, Indústria e Turismo do Principado das Astúrias. O Ministro da Economia de Portugal, Manuel Caldeira Cabral, encerrou a ação, que aconteceu no stand da Junta de Turismo das Astúrias.
Pedro Machado destacou que esta iniciativa “reforça o trajeto que temos feito, desde há dois anos a esta parte, de trabalharmos cada vez mais em conjunto com as regiões da Península Ibérica”. “Estamos a trabalhar com a Extremadura, agora estamos empenhados nesta cooperação com a Galiza, Astúrias, Castela e Leão, Cantábria e também Porto e Norte, para alargarmos aquilo a que chamamos o mercado interno, com regiões com quem temos grandes afinidades, linguísticas e culturais”, acrescentou.
Com esta plataforma comum, podemos ter mais visitantes todo o ano, porque os produtos que estamos a trabalhar em conjunto – a cultura, o turismo religioso, a natureza, a gastronomia e os vinhos – combatem a sazonalidade e podem ser trabalhados o ano inteiro”, disse ainda.
Uma visão que é partilhada pelo Ministro da Economia. “A cooperação transfronteiriça foi uma das prioridades que salientámos na última Cimeira Ibérica, pois tem um potencial muito importante de desenvolver as regiões de fronteira entre Portugal e Espanha e tem também um interesse muito forte na promoção conjunta dos dois países, em especial em destinos mais longínquos. Promover Portugal em destinos longínquos será sempre mais fácil quando promovemos Portugal em conjunto com Espanha, da mesma forma que Espanha se promove melhor nesses destinos em conjunto com Portugal do que como destino isolado”, frisou Manuel Caldeira Cabral. “É nesse sentido que estamos a trabalhar, já com propostas concretas, no mercado chinês e no mercado norte-americano. O que queremos é que esta fronteira, que está traçada no papel, não sirva para dividir, mas que seja uma fronteira que valoriza o que está nos dois lados, com caminhos comuns e com uma promoção conjunta que valorize um destino em dois países. Um destino que é cada vez mais importante a nível mundial: em conjunto, a oferta turística de Portugal e Espanha, em número de turistas, faria da Península Ibérica o maior destino do mundo”, sublinhou o governante.
Por parte do Principado das Astúrias, região que coordena o grupo de trabalho de turismo da RESOE, Isaac Pola recordou o objetivo desta estratégia comum: “Promover conjuntamente as regiões que fazem parte deste espaço, para atrair turismo de qualidade, favorecer o tráfego turístico entre as regiões e países e ganhar potencial nos mercados nacionais e internacionais”. Para isso, a estratégia assenta nos Caminhos de Santiago. “Existem 25 variantes de rotas para Santiago que atravessam esta macrorregião, das quais 10 foram declaradas pela UNESCO como Património Histórico da Humanidade. Também temos reservas de biosfera, edifícios históricos, produtos gastronómicos e enológicos, festivais da Semana Santa e outros eventos ligados ao Caminho de Santiago. Dentro desta linha, desenvolveremos um produto específico para cada uma dessas 25 estradas que atravessam a RESOE”, explicou.
A segunda ação teve lugar pouco depois: tratou-se da apresentação da estratégia EUROACE 2018 para os mercados norte-americano e chinês. A EUROACE é a eurorregião que congrega o Centro de Portugal, o Alentejo e a Extremadura espanhola. E foi precisamente no stand da Extremadura que decorreu a apresentação, em que intervieram Pedro Machado, Francisco Martín Simón, Diretor Geral de Turismo da Junta de Extremadura e Vítor Silva, presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo. Coube a Guillermo Fernández Vara, Presidente da Junta de Extremadura, e a Manuel Caldeira Cabral, Ministro da Economia de Portugal, encerrarem a sessão.
Francisco Simón começou por destacar a importância do Turismo para a EUROACE: “Esta eurorregião totalizou no ano passado cinco milhões de viajantes e quase dez milhões de dormidas, tendo o turismo gerado 91 mil empregos. Não há uma eurorregião que, como esta, tenha 20 sítios que são Património Mundial. É um aspeto diferenciador que nos posiciona no mundo, juntamente com 37 denominações de origem, 90 áreas naturais protegidas, mais de 70 festivais de interesse turístico, mais de 30 museus. Tem património material classificado pela UNESCO e a herança imaterial, com o fado ou o flamenco. E tem também tem uma força muito importante, que o turismo espiritual, com Fátima como o farol principal, com Guadalupe, mas também com o legado judaico”.
Esta é uma eurorregião com grande conectividade para o mercado chinês: temos três aeroportos internacionais no nosso perímetro, com 26 voos semanais para seis cidades chinesas, que atingem diretamente 150 milhões de habitantes. Por tudo isto, um objetivo fundamental nesta estratégia é trabalharmos juntos em projetos concretos para esses mercados distantes. Hoje, os turistas fazem rotas através de vários países. É por isso que queremos posicionar a eurorregião no mundo”, disse, salientando as ações concretas da EUROACE que vão acontecer este ano: a presença da eurorregião na Feira de Turismo de Xangai, em maio, com um único vídeo comum em chinês e com material promocional em chinês; uma road show nos Estados Unidos, no outono; e uma ação turística em Bruxelas, na primavera.
Pedro Machado salientou os resultados já alcançados pelo reforço da cooperação turística no seio da EUROACE: “Trouxe-nos mais produto, trouxe-nos mais marca, mais competitividade. A prova disso é que as regiões do Alentejo, do Centro de Portugal e da Extremadura são as regiões que mais crescem em hóspedes e dormidas na Península Ibérica. Por isso, este alargamento da estratégia só pode trazer bons resultados”.
O Centro de Portugal e o Alentejo são regiões que dependem cada vez menos do mercado nacional. Cada vez mais estamos no equilíbrio entre aquilo que é a procura interna e os mercados internacionais. Mercados como a China ou os Estados Unidos são particularmente importantes para regiões como a nossa. Esta aposta em conjunto no turismo religioso ou no turismo cultural permite reunir mais meios, mais recursos e mais capacidade para fazermos do turismo uma âncora fortíssima de desenvolvimento das nossas regiões”, acrescentou.
Quando constituímos a EUROACE, um jornalista perguntou-me para que servia. Eu fui muito sincero e respondi ‘só o tempo dirá’ se vamos realmente fazer coisas juntas. O tempo já o disse: este é um magnífico exemplo de cooperação, com resultados”, elucidou Guillermo Fernández Vara, antes de o Ministro da Economia de Portugal sintetizar a apresentação. “A promoção conjunta entre Portugal e Espanha fazem-nos mais fortes, em especial nos mercados longínquos. Estas regiões são as que mais crescem na Península Ibérica e é isso que vamos continuar a fazer: se estamos a crescer bem, temos de crescer melhor, e crescemos melhor em conjunto”, sublinhou Manuel Caldeira Cabral.
As duas ações decorreram sob o olhar atento da Secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, do presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, e do Embaixador de Portugal em Espanha, Francisco Ribeiro de Menezes, além de outras individualidades.

Partilhe

Acerca do Autor

Deixe Resposta

*