Rota da Biodiversidade PR1 LSB

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Descobrir a cidade de Lisboa

Apresentada em 2010, a Rota da Biodiversidade em Lisboa é uma forma muito interessante de conhecer parte desta cidade única. O rio Tejo e Monsanto são os seus protagonistas.Texto e fotografia: Vasco de Melo Gonçalves

A Pequena Rota (PR1 LSB) é um percurso circular com 14 km, de fácil execução e que poderá ser feita a pé ou de bicicleta. Estava curioso em fazer este percurso, sendo alfacinha há já alguns anos que saí de Lisboa e a proposta de trajeto passava por lugares que me são muito familiares. Foi um redescobrir de locais, uma outra forma de ver e a pé.

Denominada corretamente de Rota da Biodiversidade este percurso é, para mim, um diálogo permanente entre o rio Tejo e o grande Monsanto. É muito interessante observar os diálogos que vamos mantendo ao longo de todo o trajeto e os diferentes pontos de vista. Esta Rota também dá a conhecer o elevado estado de degradação em que parte da cidade se encontra, nomeadamente a Ajuda. Quando caminhava por esta zona pensava se seria interessante divulgar mas, as grandes cidades são assim…uma simbiose entre o belo e a degradação. Há quem ache que estes bairros mais degradados e pobres são pitorescos e proporcionam fotografias interessantes mas eu não consigo deixar de pensar nas pessoas que neles vivem!

Um percurso diversificado

A PR1 LSB possui um percurso muito diversificado ao nível dos cenários. Começa junto ao esplendoroso Tejo e à concorrida zona turística de Belém (Jardim Vasco da Gama). Até à Junqueira vamos caminhar com o Tejo como companhia directa e por um trajeto repleto de pessoas a praticar as mais diversas atividades de ar livre. Vamos começar a afastar-nos do Tejo à descoberta do Alto de Santo Amaro e da sua Capela, um local abandonado à sua sorte onde 4 oliveiras são a memória de um local de culto e da antiga ocupação agrícola.

Caminhamos pelos bairros típicos de Lisboa com jardins e uma vida pacata, onde todos se conhecem e as conversas de janela são uma realidade. O nosso próximo ponto de interesse é o impressionante geomonumento do Rio Seco. Subimos no sentido da Universidade Técnica de Lisboa, talvez a parte do percurso menos interessante. O complexo universitário é uma fronteira entre a cidade edificada e o Parque Florestal de Monsanto.

A chegada a Monsanto significa caminhar em terra batida por entre pinheiros, ciprestes, sobreiros, azinheiras, acácias e eucaliptos. É, sem dúvida, um dos troços mais interessantes do percurso onde o silêncio domina e o contacto com a natureza é permanente. O sossego só é interrompido com a chegada à Alameda Keil do Amaral, uma zona de lazer com diversos equipamentos que são utilizados pelas famílias. Aqui, a terra batida é, por vezes, substituída por estrada asfaltada. É também tempo de fazer uma pequena pausa e saborear a excelente vista que temos para o rio Tejo antes de subirmos para o Moinho do Penedo (230 m de altitude).

Esta edificação é a memória de outra época porque, em meados do século XIX, existiam cerca de 75 moinhos na região que tinham por finalidade a moagem dos cereais que abasteciam a cidade de Lisboa. Deixámos para trás o moinho e vamos ao encontro de outro ponto de interesse que também ele nos leva a tentar reviver um passado longínquo.

A Pedreira dos Cactos situa-se num local outrora utilizado na exploração de pedreiras e minas. O Parque Florestal de Monsanto insere-se no Complexo Vulcânico de Lisboa-Mafra, constituído por um manto basáltico que cobre as formações calcárias do Cretácico com origem nos fundos marinhos. Caminhamos em direção ao Jardim de Montes Claros com uma edificação (restaurante fechado e com um ar de abandono) e um bonito lago. A autoria do espaço é do Arq.º Keil do Amaral. Começamos a nossa descida para o espaço urbanizado com uma visão extraordinária sobre o rio Tejo e o próximo objetivo é o Palácio Nacional da Ajuda. Voltamos a caminhar em zonas degradadas com pequenos “oásis”. O Jardim Botânico da Ajuda, na Calçada da Ajuda, é uma boa opção de visita se tivermos tempo disponível. Senão caminhemos para a Igreja da Memória que merece uma visita atenta. Trata-se de uma igreja de estilo Neoclássico com interior em mármore, onde se destaca a cúpula e o túmulo do Marquês de Pombal. Mantemo-nos num percurso urbano sendo que o nosso próximo destino é a pacata Capela de São Jerónimo e a sua magnífica vista.

O Pinheiro Manso domina esta paisagem urbana complementado pelo Jardim Ducla Soares. É um local um pouco isolado mas ideal para descansar e fazer um pequeno balanço da caminhada pois já falta pouco para terminar. O troço final desenvolve-se no Restelo, um bairro muito arborizado e com jardins particulares bem cuidados. Finalmente chegamos a Belém e ao fim do nosso passeio e para quem tiver forças poderá ainda visitar o Museu de Marinha e o Mosteiro dos Jerónimos.

Informações úteis Ficha PR1 LBS Rota da Biodiversidade na Internet: http://museutransportesmunicipais.cm-lisboa.pt/index.php?id=7070 Registe as suas observações em http://www.biodiversity4all.org/ Aluguer de bicicletas: Belém Bike / www.belembike.com Em caso de emergência ligar: 112 Polícia Florestal 213 644 341 Bombeiros 213 422 222

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1 comentário

  1. Cuidado, junto a restaurantes,e locais frequentados por pessoas, costumam andar ladrões, vários incluindo ciganos a assaltar o que puderem carros ou pessoas, a mim um cigano já tentou, por acaso dei-lhe uma oportunidade, que talvez não volte a beneficiar se me voltar a abordar exibindo o mesmo punhal.

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